“Os últimos sete anos foram de luta por políticas públicas que valorizassem nossas tradições. Conquistamos uma data estadual, em 26 de julho, dia de Nossa Senhora de Santana, para celebrar o coco, a ciranda e a mazurca. Agora, o Guriatã surge para reunir mestres, dançantes e pesquisadores em torno desse mesmo propósito: manter vivas as raízes, sem que a cultura perca sua essência diante da lógica comercial”, explica Zé Silva, idealizador do festival.
Registradas como patrimônio imaterial da Paraíba desde 2021, essas manifestações representam o pulsar do Nordeste em sua forma mais genuína: o canto coletivo, a dança em roda, o encontro entre gerações e o aprendizado passado de corpo para corpo, de voz para voz. “Nosso objetivo é construir um espaço permanente de diálogo e visibilidade para quem faz e ensina essas tradições. Queremos que, no futuro, o coco, a ciranda e a mazurca também sejam reconhecidos pela UNESCO como Patrimônio Imaterial da Humanidade”, completa Zé Silva.
Zé acrescenta que em 2025, uma grande conquista aconteceu no movimento: foi criado o Dia Nacional dos Cocos, Cirandas e Mazurcas. “Esse foi um grande marco para todos nós. Além disso, o processo de reconhecimento como patrimônio imaterial pelo IPHAN está em andamento e toda essa movimentação e iniciativa tem partido da Paraíba”, diz.
A programação traz a nata da cultura popular nordestina: Samba de Coco Raízes de Arcoverde (PE), Mestre Zé Zuca e Caiana dos Crioulos (PB), Verdelinhos (AL), Samba de Parêia da Mussuca (SE), Mestre Bule-Bule (BA), além de grupos como Coco do Congo, Ciranda dos Tupinambás, Coco de Iguape, Coco de Zambê, Mestre Inácio e as Ceguinhas de Campina Grande.
Além das apresentações, o público poderá participar de oficinas práticas, rodas de conversa e vivências educativas que conectam arte, ancestralidade e território. Toda a programação será registrada em um documentário média-metragem, que pretende ampliar a difusão dessas manifestações e reforçar o turismo cultural nas comunidades envolvidas.
Para a B15 Arte, produtora do evento em parceria com o Coletivo Estrela Dalva, o Guriatã é mais do que um festival: é um espaço de escuta e reinvenção das tradições, um encontro entre mestres e novas expressões. “Nosso papel é potencializar essas vozes e construir pontes entre a cultura popular e as linguagens contemporâneas, com respeito, beleza e coerência estética”, afirma a equipe de curadoria da B15.
O Festival Guriatã é uma realização de Zé Silva Arte e Cultura, com produção do Coletivo Estrela Dalva e da B15 Arte e apoio de parceiros locais e nacionais. O evento é aberto ao público e as inscrições para oficinas, rodas de conversa, credenciamento de expositores e camping estão disponíveis no site oficial: festivalguriata.com.
Data: 14 a 16 de novembro de 2025
Locais: Espaço Energisa – João Pessoa (PB) e Fazenda Coração de Mãe – Conde (PB)
Referências:
Dia Nacional dos Cocos, Cirandas e Mazurcas: https://www.gov.br/cultura/pt-br/assuntos/noticias/ministerio-da-cultura-celebra-criacao-do-dia-nacional-do-coco-de-roda-da-ciranda-e-da-mazurca
Processo de reconhecimento como patrimônio imaterial pelo IPHAN: https://www.gov.br/iphan/pt-br/assuntos/noticias/reunioes-estaduais-mobilizam-detentores-dos-cocos-do-nordeste

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