Dados da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) apontam que mais de 282 mil cirurgias de amputação de membros inferiores (pernas ou pés) foram realizadas no Sistema Único de Saúde (SUS) entre janeiro de 2012 e maio de 2023. Numa rápida análise, percebe-se o aumento no número desses procedimentos por todo o país. A Sociedade Brasileira de Medicina Física e Reabilitação, atesta que o Brasil possui cerca de 500 mil pessoas amputadas.
Há estados onde o volume de amputações aumentou mais do que 200%. Em números absolutos, os estados que mais executam procedimentos de amputações de membros inferiores no SUS em 2022 foram: São Paulo (59.114), Minas Gerais (29.851), Rio de Janeiro (24.465), Bahia (24.395), Pernambuco (18.523) e Rio Grande do Sul (16.269). No mesmo ano, pode-se dizer que, a cada dia, pelo menos 85 brasileiros tiveram seus pés ou pernas amputados na rede pública de saúde.
Outro dado expressivo é que, aproximadamente 10% dos pacientes que amputam o membro inferior morrem no período perioperatório; 30% no primeiro ano após amputação; 50% no terceiro ano; e 70%, no quinto. Esse percentual pode ser maior em países em desenvolvimento, já que a procura por assistência médica costuma ocorrer quando a infecção da úlcera está avançada. O estudo foi elaborado a partir de informações disponíveis na base de dados do Ministério da Saúde, e preocupa profissionais da saúde em relação aos cuidados com doenças vasculares, como a síndrome do pé diabético.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais da metade dos casos de amputações envolvem pessoas com diabetes, seguida por acidentes de trânsito e trabalhistas. No entanto, as cirurgias em membros inferiores podem também estar relacionadas a causas como o tabagismo, hipertensão arterial, idade avançada, insuficiência renal crônica, histórico familiar e pacientes com câncer ósseo.
Diante desse quadro, o tema amputação ganhou relevância de alerta popular para prevenção. Sendo assim, a Associação Brasileira de Ortopedia Técnica (ABOTEC) criou e promove no país, há quatro anos, a campanha "Abril Laranja - de conscientização da amputação". Em Pernambuco, será a primeira vez que a data será comemorada oficialmente.
De acordo com os médicos, o diagnóstico precoce pode ser um grande aliado no tratamento. O Abril Laranja é fundamental para esclarecer que o processo de amputação não impede o paciente de seguir uma vida plena e feliz. Pessoas com qualquer tipo de deficiência encontram apoio material e de adaptação pelo SUS, o Sistema Único de Saúde. Os interessados em órteses, próteses ou meios auxiliares de locomoção, por exemplo, precisam em primeiro lugar procurar atendimento em uma unidade básica de saúde.
Em seguida, esse paciente vai ser encaminhado para um centro especializado em reabilitação. O fisioterapeuta Tiago Bessa, especialista em reabilitação à frente da Clínica Ortopedia Boa Viagem, alerta para os cuidados com a pele e feridas no paciente amputado, as funcionalidades pós-amputação, adaptações no lar e atividades de vida diária pós-amputação. “Amputação causada pela diabetes ou decorrente de traumas e infecções são comuns, por isso, é necessário ressaltar a alta reincidência de amputação e os cuidados para evitá-la”, explicou Tiago.
O fisioterapeuta alerta também sobre a necessidade de um apoio psicológico. “O medo da dependência funcional enfrentado por muitos pacientes amputados pode gerar uma série de problemas psicológicos”, comenta Tiago. E o trabalho de reabilitação envolve várias áreas, justamente para trazer o paciente de volta a uma vida mais próxima do normal possível.
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