Flip 2026: romance sobre cura coletiva e resistência feminina contemplado pelo ProAC/SP ganha sessão de autógrafos neste sábado (25), na Casa Pagã



“Palco dos que sofrem”, de Letícia Ávila, investiga as marcas do patriarcado e propõe uma “ustopia” onde a cura e o apoio mútuo são a base de uma nova estrutura social 

A escritora e jornalista Letícia Ávila participa da programação paralela da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) com uma sessão de autógrafos de seu romance de estreia, "Palco dos que Sofrem". O encontro acontece no sábado, 25 de julho, às 19h, na Casa Pagã (Rua Dona Geralda, 76, Centro Histórico de Paraty).



“Palco dos que sofrem” mergulha nas vivências de duas gerações de mulheres marcadas pelo autoritarismo masculino a partir da trajetória de busca pela verdade e autodescoberta da personagem Maria Beatrice. Guiada pelos escritos íntimos de sua mãe, encontrados muitos anos após seu falecimento, a jovem viaja até Conceição, cidade natal de sua matriarca, a fim de conhecer o passado de sua família. 



Com prefácio da professora e pesquisadora Priscilla Lima, a obra foi contemplada pelo ProAC/SP e propõe um exercício de imaginação política ao construir a cidade de Conceição como um espaço onde a estrutura social é pautada no feminino. Ao usar o conceito de ustopia, a autora levanta a questão: um mundo liderado por mulheres é perfeito (utopia) ou carrega novos e antigos tipos de sombras e desafios (distopia)? 



“O feminismo me ensinou que, antes de transformar a realidade, precisamos ser capazes de imaginá-la”, complementa. Escrever ficção permitiu a ela criar de um universo onde foi possível testar novas estruturas de poder e analisar como seriam as relações humanas se, de repente, elas passassem a ser fundamentadas no cuidado.



Ao sugerir a importância da cura e do acolhimento coletivo, a obra dialoga com o conceito de dororidade, criado por Vilma Piedade para nomear a irmandade que nasce especificamente da dor compartilhada entre mulheres negras, uma união forjada na intersecção do racismo e do machismo. "O tema central da trama não é a dor pela dor, mas como o fardo se torna mais leve quando compartilhado em uma rede de apoio", reflete Letícia. 



O diário da mãe é um elemento central na narrativa. Ele serve para revelar o passado e, principalmente, a verdadeira voz de Nianca, mãe de Maria Beatrice. Dessa forma, mãe e filha deixam de ser "vítimas" de narrativas impostas por homens (como o pai da protagonista) para se tornarem donas de suas próprias histórias.



Segundo ela, o tema central do livro é o rompimento de ciclos. “É preciso investigar o passado para não repetir as mesmas dores no futuro, buscando uma linhagem baseada na verdade e no afeto, e não no silenciamento”, frisa.



Sobre a autora


Letícia Ávila é escritora, jornalista e feminista. Nascida em Aracaju (SE), cresceu em São Paulo e atualmente vive em Ilhabela (SP). Formada em Jornalismo pela FIAM-FAAM FMU, atua desde 2012 no mercado de cinema e entretenimento, experiência que influencia o ritmo e a construção de suas narrativas. Após concluir o Curso de Formação de Escritores da Casa das Rosas (CLIPE), estreia na literatura com o romance "Palco dos que Sofrem", obra contemplada pelo ProAC PNAB. Em sua escrita, investiga temas como memória, trauma, redes de apoio e protagonismo feminino, entendendo a literatura como um espaço de acolhimento, cura e ressignificação.



SERVIÇO



Sessão de autógrafos – "Palco dos que Sofrem"

Data: 25 de julho (sábado)

Horário: 19h

Local: Casa Pagã – Rua Dona Geralda, 76 – Centro Histórico, Paraty (RJ)

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