Novembro Azul destaca o papel da informação na saúde dos homens


A ideia de que os homens precisam ser fortes e resolver os próprios problemas pode influenciar a forma como lidam com a saúde.
A resistência em procurar atendimento médico, a falta de tempo e o hábito de buscar ajuda apenas quando surgem sintomas estão entre os fatores que contribuem para o afastamento dos serviços de saúde.


O cenário reforça a importância do Novembro Azul, campanha de conscientização sobre a saúde masculina. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano entre 2026 e 2028, o equivalente a 30,5% dos casos de câncer entre os homens, desconsiderados os tumores de pele não melanoma.


Segundo Débora Biffi, professora do curso de Enfermagem da Estácio, aspectos culturais e sociais ajudam a explicar por que os homens ainda procuram menos os serviços de saúde. O medo de descobrir uma doença e a menor valorização do autocuidado também podem levar ao adiamento de consultas e avaliações. Com isso, problemas que poderiam ser identificados precocemente acabam sendo diagnosticados em estágios mais avançados.


A falta de informação contribui para esse cenário quando sinais e sintomas são ignorados ou considerados pouco importantes. “O conhecimento sobre prevenção e fatores de risco permite a identificação precoce de problemas de saúde, favorecendo melhores resultados terapêuticos e qualidade de vida”, destaca Débora.


Embora o câncer de próstata seja um dos principais temas da campanha, a saúde masculina exige atenção em diferentes áreas. O acompanhamento da pressão arterial, da glicemia e do colesterol, os cuidados com a saúde cardiovascular e mental, a vacinação e o monitoramento de doenças crônicas também fazem parte dessa rotina. Alimentação equilibrada, atividade física regular e a redução do consumo de álcool e do tabagismo são outras medidas importantes.


As consultas de rotina merecem atenção mesmo quando não há sintomas, já que algumas doenças evoluem silenciosamente. A avaliação profissional permite identificar fatores de risco e orientar medidas preventivas de acordo com a idade, o histórico familiar e as condições de saúde de cada pessoa. No caso do câncer de próstata, a decisão sobre exames deve ser discutida individualmente com um profissional de saúde.


Para aproximar os homens dos serviços, campanhas educativas precisam ser acompanhadas de ações permanentes. Débora aponta a importância de atendimentos acolhedores, horários flexíveis, orientações em ambientes de trabalho e divulgação de informações em linguagem acessível. Um ambiente sem julgamentos também ajuda a reduzir a vergonha e o receio de procurar assistência.

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