quarta-feira, 20 de maio de 2026

Queda intensa de cabelo após o parto assusta, mas é temporária



Fotos: Thyane Brito

A queda acentuada de cabelo nos meses seguintes ao parto é comum, fisiológica e, na maioria das vezes, temporária. O fenômeno, conhecido como eflúvio telógeno pós-parto, ocorre provavelmente devido à mudanças hormonais e estresse físico após o nascimento do bebê.
A explicação é do Dr. Paulo Miorali, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Cirurgia Capilar (SBRCC), reforça: apesar do volume de fios perdidos impressionar, o quadro tende a se normalizar espontaneamente.


“Durante a gestação, as mudanças tendem a ser positivas, aumentando a fase de crescimento dos fios, o que causa a clássica sensação que as gestantes têm de cabelos mais bonitos durante esse período. Quando o bebê nasce, há uma queda hormonal importante e muitos fios entram simultaneamente na fase de queda. Isso causa a impressão de que o cabelo está caindo demais, mas é um processo esperado”, explica o médico.


Ao longo da gravidez, os níveis elevados de estrogênio mantêm os fios por mais tempo na fase anágena, etapa de crescimento do ciclo capilar. Como menos fios entram na fase de queda, o cabelo aparenta mais volume, brilho e densidade. Após o parto, ocorre o chamado “efeito rebote”: os fios que estavam retidos entram juntos na fase telógena, que é a fase de queda.


Esse processo costuma começar entre o segundo e o quarto mês após o nascimento do bebê e pode durar até seis meses. Segundo Miorali, a intensidade pode variar de mulher para mulher, mas dificilmente evolui para falhas permanentes.


“O eflúvio telógeno pós-parto provoca uma queda difusa, diferente da alopecia androgenética. O folículo continua ativo e o cabelo tende a voltar ao seu ciclo normal com o tempo”, afirma.


A preocupação é comum e, muitas vezes, o susto vem ao perceber a quantidade de fios no ralo do banheiro ou na escova. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Capilar orienta que, na maioria dos casos, o quadro é autolimitado e não exige intervenções invasivas.


Quando é preciso investigar

Apesar de ser considerado fisiológico, o cenário deve ser avaliado se a queda ultrapassar seis meses ou vier acompanhada de sintomas como cansaço excessivo, unhas frágeis ou alterações hormonais.


De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Capilar, é fundamental descartar deficiências nutricionais, especialmente de ferro, além de possíveis alterações na tireoide, que podem prolongar ou intensificar o problema.


“Nesses casos, pode haver fatores associados que precisam ser tratados. O diagnóstico correto é o que garante a recuperação adequada do ciclo capilar”, pontua o integrante da diretoria da SBRCC.


O que ajuda na recuperação dos fios

Embora o processo tenha resolução natural, alguns cuidados podem amenizar o impacto:


Manter alimentação equilibrada, rica em proteínas, ferro, zinco e vitaminas do complexo B


Utilizar shampoos suaves e evitar procedimentos químicos agressivos


Evitar penteados muito apertados, que causam tração


Reduzir o estresse e priorizar o descanso


A Sociedade Brasileira de Cirurgia Capilar reforça que o ciclo capilar possui um tempo biológico próprio e que a paciência é parte essencial da recuperação.


Informação reduz a ansiedade

Em um período marcado por intensas transformações físicas e emocionais, a queda de cabelo pode afetar a autoestima. No entanto, entender que se trata de uma resposta natural do organismo ajuda a atravessar essa fase com mais segurança.


Com acompanhamento médico quando necessário e cuidados básicos no dia a dia, os fios tendem a recuperar a densidade gradualmente. Informação clara e orientação adequada fazem toda a diferença no pós-parto.




Sociedade Brasileira de Cirurgia Capilar:

https://sbrcc.com.br/

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