sábado, 16 de maio de 2026

Dez anos sem Naná Vasconcelos: seminário celebra legado do mestre e a força do maracatu no Carnaval do Recife



Dez anos após a partida de um dos maiores percussionistas do mundo, o Recife volta seus tambores e memórias para celebrar a obra e o impacto cultural de Naná Vasconcelos.
No próximo dia 22, das 14 às 18h, a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), promove o seminário “Naná Vasconcelos, os Maracatus e o Carnaval do Recife”, no campus Derby. O evento acontece na sala Aloísio Magalhães, no campus Derby da Fundaj, no Recife.


Mais do que uma homenagem, o encontro propõe uma reflexão sobre a dimensão estética, política e identitária da abertura do Carnaval do Recife com as nações de maracatu — são 15 anos de uma tradição iniciada em 2001 sob a regência de Naná e que se consolidou como um dos momentos mais emblemáticos da festa.


O seminário integra o projeto de pesquisa “A Cátedra Naná Vasconcelos UFRPE, as ações afirmativas e as possibilidades pluriepistêmicas nas Universidades Públicas”, desenvolvido no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Identidades (PPGECI), com financiamento da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe). A investigação analisa os impactos culturais, econômicos e simbólicos da política pública que colocou o maracatu no centro da maior celebração popular da capital pernambucana.


 


Cultura, memória e pesquisa - A programação reúne a exposição fotográfica “Naná do Recife para o Mundo”, que narra visualmente parte da vida artística do percussionista e é baseada na fotobiografia Nana de Recife para o Mundo organizada por Augusto Lins Soares com consultoria de Patrícia Vasconcelos, viúva de Naná e uma das pesquisadoras envolvidas no projeto. Além disso, haverá roda de diálogo, apresentação de resultados acadêmicos e manifestações artísticas.


Um dos destaques será a abertura da mostra “Naná do Recife para o Mundo”, que revisita momentos marcantes da trajetória internacional do artista e sua relação visceral com os batuques pernambucanos. Também será lançado o Repositório Digital Arandu UFRPE – Cátedra Naná Vasconcelos, plataforma que reunirá registros, documentos e conteúdos audiovisuais para fomentar futuras pesquisas sobre o músico e sua contribuição à cultura brasileira.


A tarde começa com apresentação da Escola de Música Naná Vasconcelos, projeto de extensão da UFRPE, reafirmando o caráter formativo que o percussionista sempre imprimiu ao seu trabalho — especialmente no processo de preparação dos batuqueiros que, por 15 anos, conduziram a abertura do Carnaval do Recife sob sua orientação.


Com financiamento da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (FACEPE), a pesquisa desenvolvida na Cátedra Naná Vasconcelos pelo PPGECI analisa o impacto dessa política cultural no Carnaval do Recife, iniciada em 2001, na economia, cultura, política e identidade da festividade na capital pernambucana. Além de resgatar esse processo de mais de uma década, os pesquisadores exploram também as percepções dos artistas e gestores públicos envolvidos nele.


Na visão de Patrícia, participar da pesquisa é “muito profundo” por resgatar a memória e cultivar o legado de Naná Vasconcelos na abertura do carnaval do Recife. “É muito importante que a gente esteja resgatando a vivência de Naná, e é muito interessante que mais pessoas saibam desse processo didático dele, esse processo evolutivo com a formação de batuqueiros ao longo de 15 anos. Eu estou muito feliz e acho que é mais um passo a ser dado na manutenção da memória de Naná”, conta.


Para Moisés Santana, coordenador da pesquisa e professor do PPGECI, resgatar a memória de Naná Vasconcelos a partir de seu processo de criação das aberturas de carnaval do Recife junto aos maracatus é muito emblemático. “Essa foi uma política que surgiu pela gestão municipal do Recife anos atrás, e que se consolidou e até hoje é mantida, mesmo após 10 anos da partida de Naná Vasconcelos. Então, a gente pode considerar que temos mais de 25 anos de abertura do carnaval com os maracatus e isso é extremamente importante”, avalia.


 


Diálogo com mestres e gestores - A roda de conversa reunirá pesquisadores, representantes institucionais e nomes ligados diretamente à construção da abertura carnavalesca com os maracatus. O encerramento será ao som do Maracatu Nação Porto Rico, sob a regência do mestre Chacon, reafirmando a potência das nações como símbolo de resistência e identidade afro-pernambucana.


Ao colocar em pauta memória, políticas culturais e saberes tradicionais, o seminário reforça a permanência do legado de Naná Vasconcelos não apenas como artista, mas como articulador de uma das mais fortes imagens do Carnaval do Recife contemporâneo: centenas de batuques ecoando juntos na noite de abertura, transformando tradição em espetáculo e afirmação cultural.


 


SERVIÇO:


Seminário: “Naná Vasconcelos, os Maracatus e o Carnaval do Recife”

QUANDO: 22 de maio de 2026

HORÁRIO: 14h às 18h

LOCAL: Sala Aloísio Magalhães – Fundaj (Campus Derby) - Rua Henrique Dias, 609 – Derby, Recife


INSCRIÇÕES: https://www.even3.com.br/seminarionanavasconcelosmaracatuseocarnaval-739285/


 


Evento aberto ao público em geral


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