segunda-feira, 11 de maio de 2026

Psicóloga faz alerta para pais sobre saúde emocional de jovens com crescimento digital



Especialista que atua em escola defende limites no uso de telas no restante do dia e maior equilíbrio entre mundo real e virtual

O avanço da tecnologia e a presença cada vez mais precoce de dispositivos digitais na rotina de crianças e adolescentes têm acendido um sinal de alerta entre especialistas em saúde mental. O tema vem ganhando espaço em escolas e famílias, especialmente diante do aumento de queixas relacionadas à ansiedade, dificuldade de concentração e mudanças no comportamento social entre os mais jovens.


De acordo com a psicóloga do Colégio Fazer Crescer e especialista em neuropsicologia, Marta Alves, o contexto atual representa um desafio inédito para pais e educadores. “Mesmo com a proibição de celulares nos colégios, o desafio é grande no restante do dia. Crianças e adolescentes já nasceram em um universo diferente do nosso. Gerações passadas tiveram a experiência na infância de brincadeiras livres como a principal fonte de entretenimento. Hoje, quem nasceu a partir de 2010, vive em um universo completamente diferente”, afirma.


Segundo a especialista, a forma como as crianças interagem com o mundo digital pode impactar diretamente o desenvolvimento cognitivo e emocional. “A gente precisa se atentar, porque toda essa rotina, essa cultura das telas vai moldar a maneira que as nossas funções vão se desenvolver. Esse é o principal alerta que a gente trabalha com os pais, para que possamos ter resultados diferentes”, destaca.


O debate sobre o uso excessivo de telas ganhou ainda mais força com a popularização do livro Geração Ansiosa, que discute os efeitos da hiperconectividade na infância e adolescência. A obra influenciou, inclusive, discussões recentes sobre a presença de celulares no ambiente escolar. “Ele traz dois conceitos importantes da geração atual: uma superproteção no mundo real e uma subproteção no mundo virtual. Batemos muito nessa tecla nas reuniões com as famílias”, explica Marta.


Para a psicóloga, o grande desafio está em evitar que as telas se tornem a principal fonte de entretenimento das crianças. A recomendação é que pais e responsáveis incentivem atividades ao ar livre, interações sociais presenciais e momentos de desconexão. “É sempre um grande desafio fazer com que a tela não ocupe esse lugar central, mas esse equilíbrio é fundamental para um desenvolvimento mais saudável”, conclui.

Nenhum comentário:

Postar um comentário