terça-feira, 14 de abril de 2026

Gestão de Milhas: O ativo invisível que exige especialização



Por Theodoro Arturo - Muitos entusiastas do mercado de fidelidade ainda enxergam as milhas aéreas como um simples subproduto do consumo, um “brinde” que expira no esquecimento ou é trocado por produtos de baixo valor agregado.
No entanto, para quem compreende a dinâmica do mercado de capitais e a inflação dos programas de fidelidade, as milhas deixaram de ser pontos de estimação para se tornarem ativos financeiros com alta liquidez e complexidade.


 


O volume desse mercado é tão expressivo que, segundo dados da ABEMF (Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização), o setor faturou cerca de R$ 21,9 bilhões em 2024, um recorde que reflete o amadurecimento do setor. No mesmo período, o volume de milhas emitidas alcançou 920,6 bilhões — um aumento de 16,5% em relação ao ano anterior — enquanto o número de cadastros chegou a 332,2 milhões de pessoas.


 


É nesse cenário que a gestão profissional deixa de ser um luxo e passa a ser uma necessidade estratégica para quem busca eficiência e proteção do seu patrimônio digital. O grande desafio da atualidade não é mais apenas como acumular, mas sim como evitar o desperdício sistêmico de valor.


 


Embora a taxa de expiração tenha caído para níveis históricos recentemente, atingindo cerca de 11,6% no terceiro trimestre de 2025, o volume absoluto de perdas ainda é alarmante. Estimativas baseadas em dados do Banco Central indicam que os brasileiros deixam de utilizar cerca de 40 bilhões de pontos e milhas anualmente, um prejuízo bilionário que atinge diretamente o bolso do consumidor e das empresas.


 


Tentar gerenciar esse ecossistema volátil de forma amadora, onde as regras das companhias mudam sem aviso e as janelas de oportunidade são curtas, é como operar na bolsa de valores baseando-se apenas em intuição: o risco de desvalorização é iminente.


 


Ao delegar essa gestão para uma consultoria especializada, o cliente passa a contar com uma inteligência de dados que monitora as alianças aéreas e as melhores tabelas de emissão global. Não se trata apenas de viajar “de graça”, mas de otimizar o custo de oportunidade e estancar o dreno financeiro causado pela expiração de pontos.


 


Para um executivo, o tempo gasto tentando decifrar regulamentos complexos poderia ser aplicado em seu ‘core business’, enquanto um especialista garante que milhas não expirem e que as passagens em classe executiva custem uma fração do valor de balcão.


 


Em última análise, a especialização na gestão de milhas é sobre sofisticação e controle. É fundamental que as milhas sejam tratadas como os ativos financeiros que representam, com o rigor de uma carteira de investimentos. É essa visão que diferencia o viajante comum do estrategista que sabe que, no mundo moderno, o conhecimento técnico vale muito mais do que o saldo na conta.


 


 


Theodoro Arturo é fundador da Theoria das Milhas, consultoria especializada em gestão estratégica de programas de fidelidade. Com foco em transformar milhas em ativos financeiros para executivos e empresas, atua no mercado de inteligência de dados aplicado ao setor de viagens e fidelização. 

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