terça-feira, 7 de abril de 2026

Crônicas que transformam a gastronomia em memória viva



Em "Paratyanas", a chef Ana Bueno traduz suas vivências e o sabor de Paraty em histórias que nascem ao pé do fogão e crescem em forma de identidade cultural

Entre o cheiro da lenha acesa e o som das panelas que contam passagens pela vida, Paraty se revela não apenas como cenário, mas como ingrediente essencial do Brasil. Em Paratyanas – crônicas escritas ao pé do fogão, a receita se transforma em afeto, a memória em tempero, e o vilarejo ganha caldo, sabor e alma. As páginas misturam uma jornada pessoal, cultural e gastronômica, a partir de experiências vivenciadas no coletivo. 


À frente dessa narrativa está Ana Bueno, chef e proprietária do restaurante Banana da Terra, figura central na valorização da culinária local há 30 anos. Ao longo de décadas, ela construiu uma trajetória sólida na cozinha e liderou projetos impulsionadores de toda a cadeia gastronômica da região — a Folia Gastronômica, que comandou por quinze anos, a Escola de Comer, revolucionando a merenda escolar, além da iniciativa Mulheres da Costeira, voltada à formação de empreendedoras locais. 


Com imagens profundamente enraizadas na cidade, reforçando as belezas íntimas da natureza, dos povos e das iguarias, o livro transpassa o compromisso com receitas de dar água na boca e, também, reúne crônicas com tons de realismo-mágico, que revelam uma Paraty autêntica. A escritora apresenta saberes ancestrais e histórias populares. Ela observa, escuta e traduz o território em palavras que preservam uma riqueza ameaçada pelo tempo, a identidade cultural. 


Desde sempre, Paraty é um porto de coração aberto; caminho e destino

 durante todos os ciclos econômicos do país. Uma referência viva da história

do Brasil para o mundo. (Paratyanas – crônicas escritas ao pé do fogão, p. 163) 


Entre as histórias, Ana prepara um mexido do real e imaginário, e serve mais de 300 personagens pertencentes da cultura viva do lugar. Angeli dos Temperos – mulher forte, de suas pitadas sai um dos melhores cheiros do vilarejo. Também tem o seu Pindoca, farinheiro tradicional, resistente às mudanças industriais que ameaçavam os modos de fazer ancestrais, é símbolo da cultura alimentar como patrimônio vivo. 


Ao passear pelas páginas, o leitor é conduzido por uma narrativa que mistura sensações e lembranças, como se cada crônica abrisse uma porta para dentro da cidade e seus protagonistas. Trata-se de revelar a geografia afetiva, com passagens diretas pela vida de quem habita ali. 


Em Paratyanas, a cozinha deixa de ser um espaço funcional para se tornar um guisar atravessado por histórias, afetos e saberes resistentes ao tempo. Ana Bueno mostra a busca pelo seu lugar, o preparo dos alimentos e os encontros como gestos de permanência. Ela prova que ao redor do fogão não se nutre apenas o corpo: alimentam-se vínculos, identidades e tradições profundas, pulsando e mantendo viva a alma da vila. 


Ficha Técnica: 

Título do livro: Paratyanas – crônicas escritas ao pé do fogão 

Editora: Dialeto Documentários 

ISBN/ASIN: 978-65-992653-4-1  

Páginas: 284   

Preço: R$ 150,00  

Onde encontrar: Dialeto 


Sobre a autora: Ana Bueno nasceu em São José dos Campos em 1971 e renasceu paratiana em 1989, quando foi morar em Paraty. Seu primeiro trabalho na cidade foi como jornalista da extinta Eco TV, emissora local que repetia a programação da TV Educativa e gerava também conteúdo local. É chef e empresária, comandando há mais de trinta anos o restaurante “Banana da Terra”, uma das grandes referências da cidade. Ao longo do tempo Ana também tem liderado projetos de incentivo ao desenvolvimento de toda a rede que forma a gastronomia e empreendedorismo local. Em 2024 criou o Instituto Paratiano de Gastronomia, com o objetivo de apoiar iniciativas em torno do alimento e sustentabilidade. 


Instagram: @anabueno_paraty 


 


Sobre a editora: Criada em 1997, a Dialeto transformou-se em uma produtora de documentário multimídia em 1999, com a clara determinação de registrar e compreender as nuances culturais e históricas da América Latina. Hoje, depois de mais de uma centena de projetos produzidos, são Livros, Vídeos, Música e Exposições que nos deram um grande prestígio nacional, mais do que isso, nos deram a convicção ainda maior de que a natureza mestiça é o nosso maior patrimônio.   


Instagram: @dialetodocumentarios 

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