A jornada começa no dia 27 de junho, no Terreirão do Samba, no Rio de Janeiro, com uma edição do AFROPUNK Experience, segue para Recife, no dia 12 de setembro, na UFPE, também dentro do formato Experience, e retorna a Salvador, nos dias 7 e 8 de novembro, no Parque de Exposições, que recebe a edição principal do festival.
Mais do que crescer em escala, o AFROPUNK Brasil fortalece uma proposta que vem sendo construída ao longo dos anos: conectar diferentes cenas, públicos e territórios a partir da música negra. O festival se firma como um espaço de encontro entre gerações, estilos e vivências - e essa nova fase amplia o alcance ao levar a experiência para diferentes regiões do país.
É dentro desse contexto que chega a primeira leva de nomes confirmados. Entre eles, Jorja Smith ganha destaque como uma das principais vozes do R&B contemporâneo. A artista britânica construiu uma trajetória sólida ao longo dos últimos anos, com músicas que transitam entre soul, R&B e outras influências da música negra global. Seu retorno ao Brasil acontece em um momento de maturidade artística, reforçando o olhar internacional do AFROPUNK e sua conexão com o que está sendo produzido fora do país.
Ao lado dela, o line-up estabelece um diálogo entre diferentes momentos da música brasileira. Gilberto Gil representa o elo entre passado e presente, chegando ao festival após o encerramento da turnê “Tempo Rei”, que celebrou mais de 60 anos de carreira. Já Emicida reforça seu papel como uma das vozes mais relevantes do rap nacional, com o recente Emicida Racional VOL 2 - Mesmas Cores & Mesmos Valores (2025), projeto que revisita referências do gênero e amplia discussões sobre identidade e memória.
A curadoria também destaca a força das sonoridades regionais. Gaby Amarantos chega ao AFROPUNK com a energia do projeto Rock Doido (2025), levando para o palco um show que traduz esse universo em performance - com referências ao tecnobrega, estética pop e elementos da cultura paraense que marcam sua fase mais recente. Em paralelo, Lazzo Matumbi é uma das vozes fundacionais da música negra baiana contemporânea; ajudou a consolidar a afirmação estética e política da negritude na música brasileira. Sua obra atravessa a formação do samba-reggae e se estabelece como ponte entre tradição, espiritualidade e construção de identidade cultural, sendo referência direta para gerações posteriores da música baiana e nacional.
Apontando para os novos caminhos da cena, NandaTsunami surge como uma das vozes mais interessantes da nova geração. Com o álbum de estreia É Disso Que Eu Me Alimento (2025), a artista constrói um universo próprio ao misturar rap, funk e moda, trazendo para o palco uma performance que dialoga com estética, atitude e narrativa - refletindo uma geração que se expressa para além da música.

Nenhum comentário:
Postar um comentário