Equipe Tipos da Feira - Créditos: Juliana Barros
Buscando mergulhar nesse universo vasto, rico em brasilidade e arte, a jovem pernambucana Cecília Távora se uniu à um time de peso, para encabeçar uma iniciativa de pesquisa para lá de especial. A jovem contou com incentivo e orientação da doutora em design Fátima Finizola, nome que é referência nacional quando o assunto é pesquisa tipográfica. Além de Junitti Júlio, Ythalla Maraysa e Palloma Paulino, que foram peças fundamentais durante todo o tempo de concepção e aprofundamento do estudo.
Foi da ideia de mapear e analisar a produção artesanal de letreiramentos populares da Feira de Caruaru, no Agreste de Pernambuco, com ênfase em seus atributos tipográficos, que nasceu o *Tipos da Feira*. Entre 2024 e 2025, os pesquisadores passaram a percorrer a Feira de Caruaru, realizando registros fotográficos e a catalogação dos tipos encontrados, posteriormente organizados em grupos, para tirar do papel - ou colocar no papel de ainda mais pessoas -, uma fonte digital intitulada “Feira Font”. A novidade, que reforça a força e importância dessa pesquisa, foi construída a partir do repertório visual estudado. A tipografia reúne caracteres, glifos e sinais, e se destaca pela relação flexível entre caixa alta e baixa, permitindo variações que enriquecem a composição gráfica sem perder coerência.
“Quando caminhamos pela cidade percebemos essas manualidades que resistem no cenário urbano, seja pela presença do artesanato, seja pelo vínculo afetivo que despertam. Em comércios, barracas e entre ambulantes, persistem placas e sinalizações feitas à mão, com funções informativas e comerciais. Esses elementos, compreendidos como letreiramentos populares, carregam identidade e cultura de forma visual e se inserem em um campo estético recorrente nos estudos sobre paisagem tipográfica e cultura nordestina: o vernacular”, explica Junitti Júlio.
Para além de se tornar uma grande homenagem à Feira de Caruaru, a “Feira Font” chega como aposta de ultrapassar as barreiras da era digital, levando esse vasto universo cultural para dentro das redes sociais. Já presente no Instagram, o @tiposdafeira também ganhará site oficial, onde será possível baixar a fonte inspirada nos tipos encontrados na feira, além de acessar uma edição digital do fotolivro que deu vida ao projeto.
“Quando o Tipos foi aprovado, poder voltar à feira e realizar a pesquisa foi, muitas vezes, sentir o toque dessa autenticidade, do calor humano e da identidade cultural que esses “arquivos vivos” — que são as letras — promovem”, reforça Cecília Távora.
>> Afetividade e propagação cultural
O Tipos da Feira carrega um tom afetivo, um abraço ao espaço e as pessoas que o compõem. Foi justamente dessa bagagem carregada de afeto que nasceu o nome do projeto, por entender a feira como um conjunto de coisas: tipos de gente, texturas, sabores, experiências, assim como a letra - os letreiramentos são intuitivos, criativos e inventam o seu próprio design.
>> Acompanhe o projeto nas redes sociais: @tiposdafeira
>> Por trás do projeto:
Cecília Távora — idealizadora, pesquisadora e fotógrafa
Fátima Finizola — orientadora
Junitti Júlio — pesquisador, type designer e fotógrafo
Ythalla Maraysa — pesquisadora e fotógrafa
Palloma Paulino — pesquisadora, ilustradora e designer
Amanda Nascimento — produção executiva
Alice Carvalho — redação
Mateus Bione — desenvolvedor web

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