De acordo com o neurocirurgião Nêuton Magalhães, Doutor pela USP e especialista em dor, o Parkinson vai muito além do tremor, sintoma mais conhecido pela população. “A doença de Parkinson não começa necessariamente com tremor. Muitos pacientes apresentam sinais iniciais mais sutis, como rigidez muscular, lentidão nos movimentos, alterações no sono, perda do olfato e até sintomas emocionais, como depressão e ansiedade”, explica.
Primeiros sinais exigem atenção
Os sintomas iniciais podem passar despercebidos ou ser confundidos com o envelhecimento natural. Entre os principais sinais de alerta estão:
* Tremor em repouso, geralmente em uma das mãos
* Lentidão para realizar tarefas simples
* Rigidez muscular
* Alterações na fala e na escrita
* Diminuição do olfato
* Distúrbios do sono, como movimentos involuntários durante a noite
Segundo o especialista, reconhecer esses sinais precocemente pode fazer diferença na qualidade de vida do paciente.
“Quanto mais cedo conseguimos identificar a doença, mais eficaz é o controle dos sintomas. Embora não exista cura, há tratamentos que retardam a progressão e proporcionam mais autonomia ao paciente”, destaca o médico.
Diagnóstico é clínico e ainda desafiador
O diagnóstico da doença de Parkinson é predominantemente clínico, baseado na avaliação dos sintomas e no histórico do paciente. Exames de imagem podem ser solicitados para descartar outras condições, mas não confirmam a doença isoladamente.
“Esse é um dos grandes desafios: não existe um exame específico que dê o diagnóstico fechado. Por isso, a experiência clínica é fundamental”, afirma Nêuton Magalhães.
Tratamento e avanços
O tratamento envolve o uso de medicamentos que repõem ou simulam a dopamina, além de terapias complementares como fisioterapia, fonoaudiologia e acompanhamento psicológico. Em casos mais avançados, a cirurgia de estimulação cerebral profunda (DBS) pode ser indicada. “A DBS é uma alternativa segura e eficaz para pacientes selecionados. Ela ajuda a controlar sintomas motores e melhora significativamente a qualidade de vida”, explica o neurocirurgião.
Com o envelhecimento da população, a tendência é que o número de casos aumente nos próximos anos. Por isso, campanhas de conscientização são fundamentais para ampliar o acesso à informação, reduzir o estigma e incentivar o diagnóstico precoce. “Informação é o primeiro passo. Quando a população entende que o Parkinson não é apenas tremor, conseguimos avançar no diagnóstico e no cuidado com os pacientes”, conclui Nêuton Magalhães.

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