A Orquestra de Frevo Zezé Corrêa, do distrito de Upatininga, zona rural de Aliança, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, conquistou a estatueta de Melhor Videoclipe durante a 17ª edição do Prêmio da Música de Pernambuco. A cerimônia aconteceu na quinta-feira, 30 de abril de 2026, no Teatro de Santa Isabel, bairro de Santo Antonio, no Recife. O evento reuniu artistas, produtores culturais, jornalistas e representantes da música pernambucana. O reconhecimento estadual destacou o videoclipe “Plantis da Vida”, lançado oficialmente em 9 de fevereiro de 2025. A obra vem chamando atenção pela valorização do frevo rural e das tradições culturais da Zona da Mata Norte. O prêmio reforça a força da produção artística desenvolvida no interior pernambucano.
Com duração de 5 minutos e 21 segundos, o videoclipe “Plantis da Vida” já ultrapassa mais de 11 mil visualizações somente no YouTube desde que estreou no canal oficial da orquestra. Produzido com incentivo da Lei Paulo Gustavo e da Secretaria de Cultura de Pernambuco, o trabalho foi apresentado como um manifesto visual e musical em defesa do Frevo Rural - Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. A produção mergulha na memória dos trabalhadores canavieiros, dos brincantes e das manifestações culturais surgidas nos engenhos da Mata Norte. O roteiro conecta música, dança, poesia e elementos da cultura popular pernambucana. A narrativa destaca a resistência cultural construída a partir das vivências do povo da região canavieira. O trabalho também evidencia a relação entre o frevo e as raízes ancestrais da região.
O manifesto do Frevo Rural apresentado em audiovisual traz versos que relacionam o ritmo às paisagens dos canaviais, aos trabalhadores rurais e às manifestações populares surgidas nas comunidades do interior. A poesia destaca que foi “na cana queimada dos imensos canaviais” que nasceram os blocos rurais, marcados pelos sopros, batuques e pela força coletiva da cultura popular. A obra também enfatiza o processo de pesquisa e aprofundamento realizado ao longo de mais de dez anos pela orquestra e pelo grupo-escola. O projeto, que une áudio e vídeo, mistura dança, música instrumental, passistas e encenações ligadas ao carnaval pernambucano. “A proposta desta obra é fortalecer o reconhecimento do chamado Frevo Rural como expressão cultural legítima da Mata Norte. O trabalho une tradição, memória e linguagem audiovisual contemporânea” explicou o produtor cultural e diretor do grupo, Léo Braz.
A composição da música é assinada pelo multiartista João Paulo Rosa, enquanto os vocais ficaram sob responsabilidade do cantor Rafael Lemos. A direção musical conta com o maestro José Messias, e além de músicos ligados à cena instrumental pernambucana, como Wallace Seixas, que atuou nos elementos musicais voltados à sonoridade do Frevo Rural; e o arranjador William Souza, conhecido como Sheik, integrou a equipe responsável pela construção musical da obra. Na execução musical estão Rogério Vicente, Alan Teixeira, Wellington José, Alessandro Dantas e Leonardo José. O videoclipe ainda contou com participação de passistas e brincantes ligados às manifestações culturais da região. A proposta coletiva fortaleceu o diálogo entre música, dança e identidade cultural. A assessoria de imprensa foi assinada pelo jornalista Salatiel Cícero.
A direção do videoclipe foi assinada por Clarissa Azevedo, que também atuou na correção de cor do projeto. O roteiro teve colaboração de Paulo Sano e Adri Popular, um dos idealizadores do projeto e responsável pelo argumento da produção. A direção de fotografia ficou sob responsabilidade de Caio Dornelas, enquanto a operação de drone foi realizada por Anderson Eduardo. O trabalho também contou com montagem, videografismo e imagens adicionais desenvolvidas por Paulo Sano. O desenho de som e a masterização ficaram sob responsabilidade de Alisson Santos. A produção reuniu dezenas de profissionais da cadeia cultural e audiovisual do interior do Estado.
Entre os participantes do videoclipe estão os passistas Adri Popular, Andresa Larisa, Karolayne Maria, Lucynho Vieira e Rafael Santana. A produção geral foi coordenada pela Associação Reviva, juntamente com Adri Popular e Cleiton Freitas, conhecido como Keu. O projeto também teve apoio de moradores, artistas populares, grupos culturais e integrantes da comunidade local. Entre os colaboradores aparecem nomes ligados ao maracatu rural, escolas públicas e comunidades dos engenhos da região. O envolvimento coletivo reforça a proposta comunitária da produção audiovisual. A obra valoriza a participação popular como elemento central da construção do frevo rural.
Criado em 2009, o Prêmio da Música de Pernambuco se consolidou como um dos principais eventos de valorização artística do estado. Ao longo de sua trajetória, o prêmio já reuniu quase cinco mil artistas inscritos, com representantes de aproximadamente 50 municípios pernambucanos. Nesta edição, mais de 200 artistas submeteram trabalhos à organização da premiação, envolvendo obras lançadas ao longo de 2025. O evento reconhece artistas, produções e trajetórias ligadas à cadeia produtiva da música pernambucana. A cerimônia premiou categorias relacionadas ao frevo, forró, MPB, música instrumental, brega e videoclipes. O prêmio também promove intercâmbio cultural e fortalecimento da economia criativa.

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