Idealizado e realizado pela produtora cultural Ceça Costa, o documentário tem 20 minutos de duração e constrói uma narrativa marcada pela memória afetiva, pela oralidade e pela musicalidade da viola nordestina. O filme alterna depoimentos do próprio Mestre Cacá, versos improvisados ao som da viola e relatos de familiares. O roteiro percorre lembranças da infância, histórias do trabalho rural, experiências nos engenhos da Mata Norte e os caminhos que levaram o artista à poesia popular.
Nascido em 29 de julho de 1939, no Engenho Albuquerque, no município de Aliança, Antonio José da Silva cresceu em meio ao universo da cana-de-açúcar. Ainda criança, mudou-se com a família para o Engenho Tupá, onde trabalhou recolhendo cocos ao lado do pai. Foi numa escola rural da região que aprendeu o ABC e teve os primeiros contatos com a literatura de cordel, elemento decisivo para o nascimento da relação com a cantoria.
O desejo de comprar a primeira viola levou o jovem trabalhador a enfrentar longas jornadas no corte da cana e em outras atividades do campo. Aos 15 anos, realizou sua primeira apresentação e iniciou uma trajetória marcada pela resistência cultural. O documentário relembra que o artista chegou a ser repreendido pelos antigos senhores de engenho, que ameaçavam expulsar sua família das terras caso ele continuasse participando das cantorias populares.
Mesmo diante das dificuldades, Mestre Cacá manteve viva a relação com a viola. Nos finais de semana, saía escondido para cantar em feiras livres e encontros populares nos engenhos da região. Em 1962, mudou-se para o Engenho Macaíba, em Vicência, onde continuou conciliando o trabalho rural com a música. Em 1985, passou a morar na sede do município e seguiu preservando a tradição da cantoria popular.
Atualmente com 86 anos, Mestre Cacá acumula mais de sete décadas dedicadas à viola e à poesia improvisada. O filme apresenta o artista como um guardião da memória oral da Mata Norte. A narrativa também destaca o entendimento do cantador sobre a música como um “dom” ligado à espiritualidade e à resistência cultural. Em um dos trechos do documentário, ele afirma que “se você tem o dom não abandone. Siga o seu caminho. Porque tudo que a gente tem é Deus que dá. Quando Deus dá uma coisa a gente só ele é quem tira”.
Outro eixo simbólico da produção é a chamada “Casa Amarela”, espaço lembrado pelo artista como representação da infância e da união familiar. “Era amarela aquela casa. Papai renovava ela. Aí mandava convidar o nosso povo para passar o ano novo naquela casa amarela”, relembra Mestre Cacá durante o filme.
A sonoridade do curta é conduzida pelo dedilhar da viola de madeira, pelas sextilhas improvisadas e pela oralidade típica dos cantadores nordestinos. As imagens percorrem engenhos, casas de farinha, canaviais e áreas rurais de Vicência, criando uma atmosfera marcada pela nostalgia e pela permanência das tradições populares da Zona da Mata Norte.
Em 2022, Mestre Cacá recebeu o título de Patrimônio Vivo de Vicência. Atualmente, o município possui apenas três cantadores de viola em atividade, sendo ele o mais idoso entre eles.
No último dia 20 de maio, o documentário teve lançamento oficial no município de Vicência. A exibição reuniu moradores, familiares, fãs, fazedores de cultura, representantes da sociedade civil e autoridades locais, que acompanharam a estreia da produção audiovisual sobre a trajetória de Mestre Cacá Violeiro.
O projeto tem a direção de fotografia de Agnaldo Lourenço da Silva e a assistência de fotografia ficou com Ivaneide Maria da Silva. A equipe técnica reúne ainda José Marçal da Silva, na assistência de produção, Felipe Santos da Costa Trigueiros, na operação de câmera, Anderson Guilherme de Vasconcelos, na edição e publicação, Ana Carolina Novaes Barros, na área de propaganda e publicidade, Hewelyn Kinbel Xavier Gomes, como intérprete de Libras, e a Hub Baobá – Comunicação, Cultura e Inovação, na assessoria de imprensa do projeto. A obra audiovisual também conta com recursos de acessibilidade.
O projeto foi realizado com incentivo da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, da Secretaria de Cultura e do Governo de Pernambuco, por meio dos recursos da Lei Paulo Gustavo. A produção também recebeu incentivo da Prefeitura de Vicência. Outras informacoes sobre o artista e o filme, acesse: www.instagram.com/mestrecacavioleiro

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