O cientista da leitura Ricardo Hecker Luz descobre algo relevante sobre o ensino do ler inicial na escola em 2007. Ele luta sozinho para difundir o ‘ler fácil’ com o todo da palavra e com o par falado e letrado de [bola]=/’bóla/. O pesquisador informa as autoridades federais, estaduais e municipais – sucessivas vezes – e ninguém se dispõe a escutá-lo. O leitor de uma palavra segue muito ignorado.
A ignorância de todos tem um efeito. O fracasso escolar se repete com muitas crianças em todo o país com o amor fiel às tradições loucas da TIS, a soma infeliz e triste da Tolice com a Ignorância e a Superstição. A didática do alfabeto ensina a leitura com a escrita como se ir fosse voltar. E voltar, ir. O cientista insiste com estudos científicos em livros autorais, como Ler com Toquinho 1.
Luz descobre um meio para diminuir o analfabetismo escolar recorrente no ensino básico. Unir o falado /’bóla/ com o letrado [bola] cria o leitor de uma palavra, e a criança forja fácil o par falado e letrado na mente. A leitura de uma palavra comum da fala, como [bola], deve tornar bem mais inteligível o discurso bem ininteligível do alfabeto e da escrita na escola, onde /bê+a/=/ba/.
O LÚDICO PRODUZ A VERDADE DO LER COM O ALFABETO
A escola, os professores e as professoras confundem leitura e escrita o tempo todo em aula e desconhecem a razão pela qual umas crianças aprendem ‘tudo’ da leitura e outras não aprendem ‘nada’. Um jogo lúdico e letrado com o meu amigo Ravi, de 7 anos, basta para eu explicar o fracasso de muitas crianças com a escrita e o alfabeto. Num dia, o jogo simula o ler extralexical.
O ensino vem fora da palavra com as letras soltas [o é p]. O amigo do pesquisador não entende nada da leitura e do ler em instante algum da brincadeira. Para realizar a tarefa, deveria haver os pares da leitura nos grafemas, o=/u/ é=/é/ p=/p/, o que não existe na mente do Ravi. Noutro dia, o cientista ensina a leitura de [o pé] antes e tudo se modifica rápido. E não se exige os pares citados.
O Ravi lê tudo ‘rápido’ entende os todos, as partes e as unidades. E consegue brincar de ler novas palavras com a troca da vogal final [é ó ão] e lê os letrados novos [o pão]=/u’pãu/ e [o pó]=/u’pó/. O jogo letrado torna evidente a dificuldade de forjar o par falado e letrado com as letras e sem o recurso do ler lexical, com a palavra e com a prosódia da língua materna, o português. Luz esclarece.
Sem ler a palavra, o Ravi não entende nada. Ao ler a palavra, o Ravi entende ‘tudo’ da leitura de [o pé] e sabe transformar uma palavra em outra, trocando apenas uma letrinha. Ricardo Hecker Luz explica a razão pela qual muitas crianças fracassam com o alfabeto. Elas não entendem a leitura e não conseguem forjar um par falado e letrado com a soma das letras em sílabas [b+a].
A conexão da leitura de [o pé] [bola] é muito simples. Todos entendem e todos aprendem a leitura da palavra [bola] muito rápido e para sempre. O par falado e letrado se fixa em em dois atos /’bóla/=[bola] (1) e [bola]=/’bóla/ (2). Ouvir /’bóla/ e ver [bola] marca o falado com o letrado (1). Depois, se inverte a ordem dos perceptos. A criança vê o letrado [bola] e fala /’bóla/ (2).
O sistema letrado (córtex visual) nasce em [bola] e se conecta com o sistema falado (córtex oral) em /’bóla/ na mente das crianças falantes e ouvintes. O gesto destrói duas tolices da escola com as letras soltas, a soma das letras com o nome e a soma das sílabas na palavra. O que é impossível com as letras soltas, para muitas crianças, se torna muito simples e fácil com a palavra.
Citação: “O par falado e letrado possui um poder explicativo infinito para descrever o ler e a leitura na mente”, assegura o pesquisador Ricardo Hecker Luz, doutor em Linguística.
Praia do Rosa, 22 de abril de 2026.

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