Com raízes na música e na cultura africana, o blues surgiu no final do século XIX, nos Estados Unidos, como expressão de resistência e reafirmação cultural de povos negros escravizados. Ganhando o mundo a partir do talento de grandes nomes como o guitarrista BB King, é influência para diferentes para braços e vertentes, a exemplo do jazz, a quem é facilmente unido e associado.
Para a presidente da Usina de Arte, Bruna Pessôa de Queiroz, o evento simboliza um grande encontro para festejar as possibilidades surgidas a partir do diálogo entre a música, as heranças culturais e as manifestações artísticas que atravessaram os oceanos e o tempo.
“É uma oportunidade de desenvolver, dentro do contexto da Usina e da Zona da Mata Sul, outros estilos culturais, abrindo um espaço, no interior de Pernambuco, para os amantes do Jazz e do Blues. O público local pode se divertir e os empreendedores movimentar o fluxo econômico de seus negócios, em locais como o Mercado dos Arcos, que funcionará durante os três dias do festival. Ficamos muito felizes de realizar esse evento, trazendo tantos artistas talentosos, e esperamos reunir não só o nosso público local, como também pessoas de outras regiões”, salienta a presidente.
Uma das atrações do Festival, a cantora e compositora Bella Schneider sobe ao palco no sábado (28), acompanhada pelos músicos Eugene Lamy Alves, Wilson Alves, Glebson Henrique e Heverton Alves. A artista adianta o que o público pode esperar: um show intenso, com emoção e liberdade musical, características que representam o jazz e o blues, somadas ao diálogo mais direto com a plateia.
“Por permitirem esse diálogo direto, cada apresentação acaba sendo única. Para mim, o jazz e o blues ainda falam muito sobre verdade humana, são estilos que nasceram da expressão mais genuína das pessoas: da dor, da resistência, da alegria, da liberdade, e que acabaram se tornando base para grande parte da música moderna. São gêneros que falam sobre encontro, troca e diálogo e é exatamente isso que pretendemos levar ao palco. Esse show também será muito especial pela formação musical que estará no palco comigo”, comenta Bella.
Para Isabella Andrade, vocalista da banda Clave de Fá, última atração do evento, os festivais têm um papel fundamental na circulação da música e na formação de público, especialmente para estilos como o jazz, o blues e suas conexões com a música brasileira, sendo espaços para valorização da música ao vivo.
"Estamos muito felizes em participar da primeira edição desse festival e levar a música da Clave de Fá para Água Preta. Artisticamente, é muito importante ocupar esses espaços porque eles fortalecem a cena musical e ampliam o alcance de propostas autorais e de releituras criativas dentro da música brasileira. Nosso convite é para que o público venha de coração aberto, pronto para ouvir, sentir e celebrar a música junto com a gente”, afirma.
Nova obra de Artur Lescher
Além do Jazz & Blues Festival, outro momento de destaque é a inauguração da segunda obra do artista Artur Lescher. Intitulada “Óculo”, a peça foi assim nomeada não apenas por sua proposta, mas também por sua concepção artística.
Na arquitetura, óculo é um elemento caracterizado por uma abertura circular ou oval, podendo estar presente em cúpulas, fachadas ou paredes. Atua como uma janela para iluminação natural e ventilação, acrescentando por vezes valor estético ou simbólico ao local. É um elemento clássico presente, por exemplo, no Panteão Romano. Composta em aço inoxidável, a criação foi desenvolvida por Lescher para que atue como uma espécie de janela, uma lente capaz de definir o contexto do que está ao redor. Não há molduras, tampouco um recorte ou distanciamento da paisagem real.
“Minha ideia foi desenvolver uma ligação entre esse trabalho e a grandeza da Usina de Arte, bem como com tudo o que ela representa, a partir das noções de permanência e pertencimento. Eu queria uma obra que dialogasse diretamente com a proposta do lugar. O intuito é que, ao olharem através do Óculo, as pessoas enxerguem e vislumbrem o prédio onde essa história começou — a origem de tudo — e a paisagem ao seu entorno, sentindo que ela possui uma conexão com o contexto e com aquilo que se fala sobre a Usina, além de proporcionar, claro, uma experiência particular ao espectador”, explica Artur Lescher.
O artista ressalta, ainda, a capacidade que a arte tem de ser amplificada e levada a diferentes lugares e públicos, algo que, para ele, a Usina de Arte promove de forma significativa: “para mim, é muito gratificante poder ter meu segundo trabalho exposto neste centro que atrai e envolve pessoas, faz diferença para a comunidade e para a região. A partir desse ponto — de atrair relações, conversas e interlocuções — as coisas vão acontecendo nesse lugar tão reconhecido, e que valoriza a arte contemporânea. Além disso, dividir o espaço com artistas espetaculares e renomados é algo muito significativo. Sou admirador do trabalho realizado pela Usina de Arte”, sublinha. Além de “Óculo”, é do artista a obra "Your Eyes", de 2012.
Visitação
A cerca de 150 km do Marco Zero do Recife, o Parque Artístico-Botânico da Usina de Arte é aberto à visitação do público, das 5h30 às 18h, com acesso gratuito. Saindo do Recife, os visitantes devem seguir pela BR 101 Sul, no sentido Alagoas, até o centro da cidade de Xexéu. De lá, o público segue pela rodovia PE-99, que começa em frente à Paróquia de São Sebastião, e leva até a Usina, situada no Km 10. Entre as opções de alimentação, estão os restaurantes Jardim Botânico, a Pizzaria Estação dos Sabores, Mandacaru Abacate, Ró Lanches, Restaurante Alquimia e Restaurante Capim de Cheiro. Mais informações sobre opções de restaurantes e hospedagens estão disponíveis no perfil do Instagram @usinadearte.
Sobre a Usina de Arte
Instalada onde funcionou a Usina Santa Terezinha (maior produtora de álcool e açúcar do Brasil nos anos 1950), na cidade de Água Preta, Mata Sul de Pernambuco, o projeto Usina de Arte conecta arte, cultura e meio ambiente, a partir de um museu de arte contemporânea ao ar livre, dentro de um Parque Artístico Botânico.
Nele, estão instaladas mais de 45 obras e instalações de nomes como Alfredo Jaar, André Komatsu, Anne e Patrick Poirier, Artur Lescher, Bené Fonteles, Carlos Vergara, Carlos Garaicoa, Camille Kachani, Claudia Jaguaribe, Denise Milan, Flávio Cerqueira, Frida Baranek, Geórgia Kyriakakis, Helena Simões, Hugo França, Iole de Freitas, José Rufino, José Spaniol, Juliana Notari, Julio Villani, Liliane Dardot, Marianne Peretti, Marina Abramović, Maria Tereza e Thiago Sobreiro, Marcelo Silveira, Márcio Almeida, Matheus Rocha Pitta, Paulo Bruscky, Paulo Meira, Regina Silveira, Rizza, Rodrigo Sassi, Ronaldo Tavares, Saint Clair Cemin, Túlio Pinto e Vanderlei Lopes.
Em meio a um trabalho de reflorestamento com plantas de mais de 1.000 espécies, em uma área com mais de 44 hectares, o Parque Artístico-Botânico é eixo central da iniciativa que irriga outras ações de desenvolvimento para a criação de estruturas voltadas à geração de renda e valor para a comunidade de 6 mil moradores no entorno do projeto. São exemplos o Fab Lab Mata Sul - Usina de Arte com terminais de computadores conectados à internet, impressoras em 3D e cortadora a laser para projetos da comunidade, a Escola de Música, a Biblioteca e Centro de Conhecimento público com mais de 5 mil títulos, além de parceria com as unidades escolares no apoio de novas práticas pedagógicas.
O objetivo é estimular o turismo, e a consequente atividade econômica na região da Mata Sul de Pernambuco, criando um ambiente favorável ao empreendedorismo na localidade, que viu nascer restaurantes, pousadas, pesque-e-pague, centro de artesanato, guias para passeios ecoturísticos, camping e a cultura de hospedagens domiciliares. “Essa guinada não seria possível sem o intenso envolvimento da comunidade, parte efetiva de todo o processo, e que, ao se sensibilizar com o potencial transformador da arte, tem contribuído sistematicamente com o projeto, desde a sua gestação até a atual condição de pilar de sustentação dele", explica Bruna Pessôa de Queiroz, presidente da Associação Socioambiental e Cultural Jacuípe, que gere a Usina de Arte. O grupo reúne mais de 40 membros de segmentos plurais da comunidade da Usina Santa Terezinha, sendo viabilizado a partir do apoio de pessoas físicas e jurídicas.
Programação | Usina Jazz & Blues Festival - 1ª edição
27/03 | Sexta-Feira
20h - Jazz Blues Band
21h30 - Esquinas do Blues
(Com Liz Völkel e Marcelo Demo)
28/03 | Sábado
20h - Os Caras do Blues
21h30 - Bella Schneider & Band
29/03 | Domingo
18h - Mallavoodoo
20h - Clave de Fá

Nenhum comentário:
Postar um comentário