terça-feira, 24 de março de 2026

Entre o afeto e o design: o “Café Caramelo’ de André Henning na BAB 2026



A primeira edição da Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB) promete reposicionar a arquitetura no imaginário cultural do país, e um dos destaques da programação é o espaço assinado pelo arquiteto curitibano André Henning.
Convidado pela curadoria nacional, o profissional é responsável pelo projeto da cafeteria oficial do evento, que acontece de 25 de março a 30 de abril, no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera, na cidade de São Paulo.


 


Idealizada pela plataforma Archa, a BAB 2026 surge como uma iniciativa independente e sem fins lucrativos, com o tema “A arquitetura está em tudo”. A escolha do local já é uma declaração de intenções: a Bienal ocupa o Pavilhão das Culturas Brasileiras (PACUBRA), edifício projetado por Oscar Niemeyer com paisagismo de Roberto Burle Marx. Dentro desse espaço histórico, o evento apresenta o conceito de Pavilhão Brasil, reunindo estruturas inspiradas nos biomas nacionais e criando uma experiência imersiva que convida o público a percorrer o país por meio da arquitetura.


 


Batizado de “Café Caramelo”, o ambiente projetado por Henning vai além da função de apoio e se estabelece como extensão conceitual da Bienal. Integrado ao percurso expositivo, o espaço foi desenhado para estimular encontros e permanências. “O café é um lugar onde as pessoas se encontram sem roteiro. A proposta foi criar um ambiente que acolha essas pausas e conversas, entendendo a arquitetura como algo que acontece no uso e na experiência”, explica Henning.


 


O conceito do projeto parte de um dos símbolos mais afetivos e reconhecíveis do Brasil: o cachorro caramelo. A partir dessa referência, o arquiteto constrói uma narrativa sofisticada e contemporânea baseada na materialidade. “Os materiais utilizados no projeto seguem essa tonalidade de caramelo e marrom, que além de ser super atual, também é atemporal. É uma cor que está em alta, mas que, principalmente, carrega essa identificação imediata com o Brasil que quisemos homenagear”, destaca o profissional.


 


A riqueza do espaço está na combinação de materiais e texturas. Madeira natural, couro caramelo, granito Café Imperial em acabamento escovado e superfícies com efeito de cimento queimado, também na tonalidade caramelo, criam uma composição envolvente e sensorial. O mobiliário reforça esse discurso: diversas peças foram desenhadas exclusivamente para o projeto, incluindo cadeiras, banquetas e mesas que combinam corda e metal em uma linguagem contemporânea e autoral.


 


A iluminação é outro elemento-chave da experiência. Com uso de skylines, o projeto aposta em uma luz mais direta que rebate para a parte inferior, criando profundidade e conforto visual. Pontos de luz adicionais sobre as mesas reforçam a atmosfera acolhedora. A estratégia também responde às limitações do espaço expositivo. “Como estamos em um edifício icônico, onde não podemos fazer intervenções em piso, paredes ou teto, pensamos o projeto como uma estrutura independente, praticamente flutuante, respeitando integralmente a arquitetura do Niemeyer”, ressalta o arquiteto.


 


A curadoria de objetos e obras de arte amplia a narrativa do ambiente. O espaço reúne peças autorais e uma seleção de objetos decorativos em cerâmica, barro, madeira e outros elementos naturais, reforçando a estética terrosa e orgânica do projeto. As obras expostas foram desenvolvidas com exclusividade por artistas convidados, entre eles, nomes da arte urbana, digital, pintura e fotografia, provocados a interpretar, sob diferentes linguagens, o universo simbólico do “caramelo”. O resultado é uma coleção diversa e sensível, que transforma o café também em espaço expositivo.


 


No piso, o quartzito branco traz leveza e equilíbrio à composição, funcionando como base neutra para tapetes de cores mais intensas, que introduzem ritmo e contraste ao ambiente. Já a vegetação aparece como elemento estruturante da experiência. Em diálogo direto com o Parque Ibirapuera, o projeto cria aberturas que emolduram a paisagem externa, enquanto o verde invade o interior, dissolvendo fronteiras. “A ideia foi criar uma sensação de continuidade com o parque, como se o café fosse uma grande varanda, onde interior e exterior se misturam de forma natural”, completa Henning.



Mais do que um espaço de convivência, o “Café Caramelo” sintetiza o espírito da BAB 2026 ao transformar o cotidiano em experiência arquitetônica. Um ambiente onde o Brasil não é representado de forma literal, mas sentido na matéria, na luz e nas relações que ali acontecem.


 


Sobre André Henning


À frente do André Henning Studio, o arquiteto e empresário construiu uma trajetória sólida na chamada arquitetura de negócios, desenvolvendo projetos que articulam estratégia, identidade de marca e experiência do usuário. Com mais de uma década de atuação e centenas de projetos executados em todo o Brasil, Henning se destaca especialmente nos segmentos de gastronomia, entretenimento e varejo, criando espaços que aliam conceito estético a desempenho comercial e operação eficiente. Além da atuação autoral, o arquiteto também se destaca como empreendedor. É cofundador da Go Coffee, uma das redes de cafeterias que mais crescem no país, com centenas de unidades distribuídas em todos os estados brasileiros. Essa vivência prática no mercado se reflete diretamente em sua arquitetura, que combina sensibilidade criativa com visão estratégica, resultando em projetos que não apenas encantam visualmente, mas também respondem de forma objetiva às demandas de negócio. Para mais informações, acesse o perfil oficial do arquiteto no Instagram: @andrehenning.


 


SERVIÇO

Evento: 1ª Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB)

Período: de 25 de março a 30 de abril

Local: Pavilhão das Culturas Brasileiras (PACUBRA) - Parque Ibirapuera – São Paulo (entrada pelo Portão 03)

Ingressos: R$ 80 (inteira) - dias de semana | R$ 100 (inteira) - finais de semana

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