Câncer de mama: o treino também faz parte da prevenção
Segundo a Estimativa 2026–2028 do Instituto Nacional de Câncer (INCA), divulgada em fevereiro deste ano, o Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano até 2028, o equivalente a cerca de 30% de todos os casos de câncer em mulheres no país. É o tipo de câncer mais incidente entre elas, e a projeção representa um crescimento de aproximadamente 5 mil casos anuais em relação ao levantamento anterior.
Diante desse cenário, o próprio INCA inclui a atividade física entre as estratégias que podem contribuir para a redução do risco de diversos tipos de câncer, entre eles o de mama. Essa relação também já foi analisada em estudos realizados no Brasil.
Uma pesquisa conduzida pela Faculdade de Medicina da USP, em parceria com pesquisadores de Harvard, Cambridge e Queensland, e publicada na revista científica Cancer Epidemiology, estimou que até 8,6 mil casos de câncer em mulheres brasileiras poderiam ser evitados anualmente com o aumento da prática regular de atividade física. O estudo também apontou que mais da metade das mulheres no país não alcança a recomendação da Organização Mundial da Saúde de pelo menos 150 minutos de atividade física por semana.
A relação entre exercício e redução do risco de câncer não depende de uma fórmula específica nem exige treinos de alta intensidade. A atividade física regular está associada à redução da gordura corporal, à melhora da sensibilidade à insulina e à diminuição de processos inflamatórios, além de contribuir para o equilíbrio hormonal e o fortalecimento do sistema imunológico. Juntos, esses fatores estão entre os que mais influenciam o risco de desenvolvimento de câncer, especialmente o de mama após a menopausa.
É importante, no entanto, não transformar a prevenção em uma cobrança por desempenho. Caminhar, fazer musculação, nadar, pedalar ou praticar outra atividade de forma regular pode contribuir para uma rotina mais ativa. O benefício está muito mais relacionado à constância do que à busca por resultados extraordinários em pouco tempo.
Para quem já está em tratamento contra o câncer, o cuidado precisa ser individualizado. A prática de exercícios deve considerar o tipo de tratamento, as condições clínicas e eventuais limitações ou efeitos colaterais, sempre com orientação adequada dos profissionais que acompanham o paciente. A atividade física, nesses casos, pode fazer parte do cuidado, mas não substitui o tratamento médico.
Outubro é o mês em que a conversa sobre o câncer de mama ganha mais espaço. Mas prevenção não tem data marcada. Ela está relacionada a escolhas e hábitos construídos ao longo do ano. Manter o corpo em movimento, de maneira adequada e constante, é uma atitude acessível que pode contribuir para uma vida mais saudável e para a redução do risco de diferentes doenças.
*Rairtoni Pereira é personal trainer há mais de 10 anos, ajudando pessoas a desenvolver hábitos saudáveis e uma relação positiva com o próprio corpo. É autor do livro "5 Atitudes para criar o hábito de se exercitar todos os dias".

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