Após interação de Lula com Moreira, mesa do Despertar defende proibição das bets e rebate temor de ‘fim do futebol’
São Paulo, 20 de setembro de 2026 – Após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva interagir com uma publicação de Eduardo Moreira contra as bets, o impacto das plataformas de apostas ganhou espaço neste domingo (20) no Despertar 2026, no Vibra São Paulo. Durante a mesa “Precisamos Conversar”, Milly Lacombe, Juliana Baroni, Veronica Oliveira, Gabriella Varela e Assucena defenderam a proibição das plataformas e discutiram seus efeitos sobre famílias, mulheres e jovens.
Na publicação, Moreira afirmou ter recebido mensagens ameaçadoras por seu enfrentamento às bets e escreveu que não recuaria. Lula respondeu diretamente nos comentários: “É isso, companheiro. O Brasil está se mobilizando contra as plataformas de aposta que destroem famílias inteiras pelo vício e o endividamento. Contem comigo nesta luta!” A manifestação ocorre em meio ao endurecimento do discurso do presidente contra o setor. Nos últimos dias, o presidente afirmou publicamente que pretende acabar com as bets e rebateu argumentos de clubes sobre os efeitos da medida no futebol brasileiro.
No palco do Despertar, a jornalista e escritora Milly Lacombe confrontou justamente o argumento de que o futebol brasileiro não suportaria o fim das receitas provenientes das casas de apostas. Clubes e federações vêm se mobilizando diante da possibilidade de novas restrições e afirmam que uma proibição teria forte impacto financeiro sobre a modalidade.
Milly lembrou que o futebol feminino permaneceu proibido por lei no Brasil por décadas e ironizou a reação do futebol masculino ao debate sobre as bets. “O futebol feminino foi 40 anos proibido por lei. O futebol masculino vai aguentar”, afirmou.
A jornalista também chamou atenção para o impacto das apostas sobre as mulheres. Segundo ela, embora os homens sejam maioria entre os apostadores, são muitas vezes as mulheres que precisam lidar com as consequências do endividamento dentro de casa. “O homem joga mais, mas quem paga a conta é a mulher”, afirmou. Milly citou situações em que cabe às mulheres manter o funcionamento do lar, pagar contas e garantir necessidades dos filhos diante do colapso financeiro familiar.
Juliana Baroni trouxe para a discussão as ameaças sofridas por Eduardo Moreira após ele intensificar publicamente sua campanha contra as plataformas de apostas. A atriz e diretora classificou como “perigoso” o nível de reação provocado pelo enfrentamento ao setor. Foi justamente em uma publicação de Moreira relatando essas ameaças que o presidente Lula se manifestou em apoio à mobilização contra as bets.
Para Veronica Oliveira, a discussão também precisa considerar a saúde mental. A escritora e comunicadora contou que começou a produzir conteúdo há cerca de dez anos, após uma tentativa de suicídio, e relacionou o sofrimento psíquico contemporâneo às pressões econômicas e sociais. Ao tratar de estruturas que, segundo ela, lucram a partir da vulnerabilidade das pessoas, classificou esse funcionamento como um “sistema criminoso”.
A jornalista Gabriella Varela chamou atenção para a influência das apostas sobre os mais jovens, especialmente diante da presença das marcas no futebol, nas redes sociais e em outros espaços de grande exposição.
Assucena, por sua vez, apontou uma contradição que identifica no discurso de setores da extrema direita. Segundo a artista, grupos que colocam a defesa da família no centro do debate político não demonstram a mesma preocupação diante dos efeitos das apostas sobre o endividamento e a estrutura das famílias.
A discussão ocorre em um momento de pressão sobre o modelo atual das bets no país. Enquanto clubes argumentam que patrocínios e publicidade das empresas de apostas se tornaram fontes relevantes de receita, o debate público tem se concentrado também nos impactos do vício e do endividamento das famílias.
Além das bets, a mesa “Precisamos Conversar” abordou a união feminina, redes de apoio, representação e os impactos de diferentes estruturas sociais e econômicas sobre a vida das mulheres.
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