quarta-feira, 20 de maio de 2026

Arquitetura afetiva ganha espaço em projetos que priorizam identidade e acolhimento



Lierna Arquitetura e Interiores aposta em projetos personalizados que unem funcionalidade, bem-estar e conexão emocional com os ambientes

Em um momento em que o conceito de moradia vem sendo ressignificado, a arquitetura afetiva ganha força como uma abordagem que busca transformar os ambientes em extensões da identidade e da história de quem vive neles. Em João Pessoa, o escritório Lierna Arquitetura e Interiores, fundado pelas arquitetas Maria Eduarda, Bárbara Gama e Thaís Wanderley, tem apostado justamente nessa proposta, desenvolvendo projetos personalizados que unem estética, funcionalidade e conexão emocional.


Para tirar essa ideia do papel, o escritório aposta em uma identidade autoral marcada pelo uso de elementos naturais, como a madeira e a pedra. Através de um olhar sensível, a escolha dessas matérias-primas e o desenho do layout são pensados para refletir a singularidade de cada morador, transformando o espaço físico em um verdadeiro refúgio particular.


Essa abordagem humanizada define a essência do trabalho do escritório e deixa o cliente no centro de cada decisão criativa. "Para nós, arquitetura afetiva é aquela que vai além da estética e da função, pois carrega significado e nasce de um processo de projetar com intenção, considerando as memórias, a história e a identidade de quem vai viver aquele espaço", afirma a sócia Maria Eduarda.


Investigação afetiva e processo criativo


Para alcançar esse nível de personalização, o processo de criação envolve uma imersão profunda na rotina de quem contrata o projeto. As reuniões de briefing vão além de um roteiro técnico tradicional e funcionam como uma leitura sensível e psicológica das vivências do morador.


"Acreditamos que cada projeto deve ser único porque cada cliente tem uma trajetória própria. Por isso, buscamos traduzir essa identidade em elementos concretos: pode ser um objeto com valor emocional, uma escolha de material que remete a uma lembrança ou até a forma como os ambientes se conectam com o modo de viver daquela pessoa", ressalta Maria Eduarda.


A necessidade de conexão emocional com o lar ganhou força expressiva no cenário pós-pandemia. Maria Eduarda explica que o isolamento transformou a dinâmica familiar e a percepção sobre a moradia, o que impulsionou uma busca imediata por ambientes que priorizam o aconchego e o bem-estar, conceitos antes vistos apenas como secundários.


Essa construção ganha forma na escolha minuciosa de cores que despertam sensações, texturas que promovem conforto tátil e disposição de objetos pessoais. O design atua como o elo que materializa e conecta essas referências em um conjunto coerente, o que demonstra que a arquitetura afetiva se apoia na intenção por trás de cada detalhe.


Ressignificação do lar


Para Bárbara Gama, também sócia da Lierna, um dos principais diferenciais da arquitetura afetiva está na atenção aos detalhes e na construção de ambientes que contêm histórias. "No dia a dia, isso aparece principalmente na forma como pensamos os detalhes. O trabalho vai muito além de criar um espaço bonito, pois busca construir uma narrativa onde cada elemento tem um propósito e conta, de alguma forma, a história de quem habita ali", pontua.


A arquiteta também observa uma transformação profunda na dinâmica residencial recente, que exigiu da arquitetura respostas mais complexas para o cotidiano. Na visão da especialista, a nova rotina urbana trouxe à tona a urgência de projetos focados no bem-estar integral de quem consome o espaço.


"A casa deixou de ser apenas um lugar de passagem e passou a assumir múltiplos papéis, como trabalho, descanso e convívio, e, com isso, surgiu uma necessidade mais evidente de criar ambientes que acolham de verdade", explica.


Bárbara Gama ressalta ainda que a funcionalidade dentro dos projetos não deve ser genérica. O escritório defende que as soluções técnicas precisam ser desenhadas de maneira personalizada, respeitando diretamente a rotina, os hábitos e as prioridades específicas de cada morador.


Um movimento que veio para ficar


As transformações no comportamento do consumidor sinalizam uma mudança definitiva no mercado de interiores. De acordo com a arquiteta Thaís Wanderley, também sócia do escritório, o público amadureceu as exigências em relação ao bem-estar habitacional, e passou a priorizar o acolhimento profundo ao invés de apelos meramente visuais.


"Por isso, entendemos que não é uma tendência passageira, mas um movimento que veio para ficar. A arquitetura afetiva responde a uma demanda real das pessoas: viver em espaços que façam sentido emocionalmente e proporcionem conforto em todos os aspectos", afirma.


A arquiteta também destaca que o retorno do cliente para o desenvolvimento de novos projetos valida o sucesso dessa parceria. Esse movimento demonstra que o vínculo criado ao longo do processo superou os aspectos estéticos e funcionais, o que estabelece uma relação baseada em identificação, confiança e pertencimento.


Segundo Thaís, esse retorno demonstra que a experiência foi positiva em todas as etapas do processo, envolvendo o resultado final e a relação construída entre cliente e equipe. "Existe confiança, identificação e, principalmente, um reconhecimento de que aquele projeto realmente fez sentido na vida dele", conclui.

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