O folclore excede um simples conjunto de lendas; é uma ferramenta poderosa para o desenvolvimento infantil onde a imaginação ganha asas. “Ao mergulhar nesse universo encantado, os pequenos aprendem, por exemplo, que o medo pode se transformar em coragem, e que o diferente se torna uma oportunidade de aprendizado”, enfatiza a profissional.
Personagens marcantes ensinam as crianças valores como respeito à natureza, amizade, sabedoria popular e justiça. Como o Curupira, que protege as matas e ensina sobre o respeito à natureza; o Negrinho do Pastoreio, que inspira fé e resiliência, podendo abrir reflexões atuais sobre o racismo; trabalhar a lenda da Iara cria oportunidade para falar de temas atuais como o papel da mulher na cultura; o Saci-pererê tem deficiência física e, mesmo assim, corre, voa, transforma, é independente, traquina e transgressor — símbolo da resistência da cultura africana no Brasil.
Tradição e modernidade
Para Paula, que também é contadora de histórias, tanto os pais quanto os professores podem cativar o público infantil adaptando atividades folclóricas com criatividade, adequando as lendas da região aos contextos locais e às vivências das crianças. “Para os pequenos, a experiência pode ser enriquecida com o uso de fantoches, desenhos e cantigas. Já para os maiores, rodas de conversa, teatro, contação de histórias, pesquisas e até criação de podcasts folclóricos ajudam no entendimento e interesse”, sugere.
Se usadas com intencionalidade, as mídias digitais e redes sociais também podem ser grandes aliadas para conquistar novas gerações na divulgação do folclore. Por exemplo: um vídeo bem-feito pode apresentar o Saci-pererê a uma criança que nunca ouviu falar sobre ele, e um jogo educativo pode transformar o Curupira em herói da floresta.
Mas Paula enfatiza que é preciso ter cuidado com a superficialidade e distorções para que o conteúdo seja respeitoso, criativo e fiel à essência desta sabedoria ancestral. “Antes de apresentar um personagem como apenas engraçado ou assustador, é importante explicar o que ele representa, sua origem e o contexto da história”, pontua.
Há muitas formas de envolver o público infantil no folclore brasileiro de forma lúdica. E esse é o caminho mais bonito para formar crianças curiosas, conscientes e conectadas com suas raízes. “Agosto é o mês do Folclore, mas a cultura popular deve estar presente o ano todo. E que a escola e a nossa casa sejam sempre espaços de encantamento cultural”, finaliza Paula.
Sobre Paula Furtado
Paula é pedagoga, formada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com especialização em Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia (Facon-SP), Educação Especial, Arte de Contar Histórias e Arteterapia pelo Instituto Sedes Sapientiae e Leitura e Escrita, também pela PUC-SP. A profissional já atuou como assessora pedagógica em escolas públicas e particulares.
Paula Furtado atende crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizado, incluindo casos complexos envolvendo traumas e situações de vulnerabilidade emocional. Nesta área da educação, a pedagoga ministra cursos para formação de educadores nas instituições de ensino público e particular e realiza palestras para pais sobre a importância de contar histórias.
Autora de mais de 100 livros infantojuvenis e criadora de jogos pedagógicos inovadores, Paula também escreve para revistas especializadas em educação e infância.

Nenhum comentário:
Postar um comentário