quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Folclore brasileiro oferece um rico repertório de histórias, lendas e brincadeiras ao universo infantil



O Dia do Folclore, celebrado em 22 de agosto, vai muito além de uma data no calendário: é um momento de refletir e preservar a cultura nacional.
Conforme explica a psicopedagoga e escritora infantil Paula Furtado, “o folclore brasileiro carrega nossas raízes, medos, esperanças e os ensinamentos passados de geração em geração. Ao valorizar as lendas, brincadeiras, cantigas e costumes, mantemos viva a alma do nosso povo e oferecemos às crianças um sentimento de pertencimento e identidade”.


O folclore excede um simples conjunto de lendas; é uma ferramenta poderosa para o desenvolvimento infantil onde a imaginação ganha asas. “Ao mergulhar nesse universo encantado, os pequenos aprendem, por exemplo, que o medo pode se transformar em coragem, e que o diferente se torna uma oportunidade de aprendizado”, enfatiza a profissional.


Personagens marcantes ensinam as crianças valores como respeito à natureza, amizade, sabedoria popular e justiça. Como o Curupira, que protege as matas e ensina sobre o respeito à natureza; o Negrinho do Pastoreio, que inspira fé e resiliência, podendo abrir reflexões atuais sobre o racismo; trabalhar a lenda da Iara cria oportunidade para falar de temas atuais como o papel da mulher na cultura; o Saci-pererê tem deficiência física e, mesmo assim, corre, voa, transforma, é independente, traquina e transgressor — símbolo da resistência da cultura africana no Brasil.


Tradição e modernidade


Para Paula, que também é contadora de histórias, tanto os pais quanto os professores podem cativar o público infantil adaptando atividades folclóricas com criatividade, adequando as lendas da região aos contextos locais e às vivências das crianças. “Para os pequenos, a experiência pode ser enriquecida com o uso de fantoches, desenhos e cantigas. Já para os maiores, rodas de conversa, teatro, contação de histórias, pesquisas e até criação de podcasts folclóricos ajudam no entendimento e interesse”, sugere.


Se usadas com intencionalidade, as mídias digitais e redes sociais também podem ser grandes aliadas para conquistar novas gerações na divulgação do folclore. Por exemplo: um vídeo bem-feito pode apresentar o Saci-pererê a uma criança que nunca ouviu falar sobre ele, e um jogo educativo pode transformar o Curupira em herói da floresta.


Mas Paula enfatiza que é preciso ter cuidado com a superficialidade e distorções para que o conteúdo seja respeitoso, criativo e fiel à essência desta sabedoria ancestral. “Antes de apresentar um personagem como apenas engraçado ou assustador, é importante explicar o que ele representa, sua origem e o contexto da história”, pontua.


Há muitas formas de envolver o público infantil no folclore brasileiro de forma lúdica. E esse é o caminho mais bonito para formar crianças curiosas, conscientes e conectadas com suas raízes. “Agosto é o mês do Folclore, mas a cultura popular deve estar presente o ano todo. E que a escola e a nossa casa sejam sempre espaços de encantamento cultural”, finaliza Paula.


 


Sobre Paula Furtado


Paula é pedagoga, formada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com especialização em Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia (Facon-SP), Educação Especial, Arte de Contar Histórias e Arteterapia pelo Instituto Sedes Sapientiae e Leitura e Escrita, também pela PUC-SP. A profissional já atuou como assessora pedagógica em escolas públicas e particulares.


Paula Furtado atende crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizado, incluindo casos complexos envolvendo traumas e situações de vulnerabilidade emocional. Nesta área da educação, a pedagoga ministra cursos para formação de educadores nas instituições de ensino público e particular e realiza palestras para pais sobre a importância de contar histórias.


Autora de mais de 100 livros infantojuvenis e criadora de jogos pedagógicos inovadores, Paula também escreve para revistas especializadas em educação e infância.

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